Rafael Sereno
Perdi a virgindade aos onze anos de idade, por pressão típica dos amigos e pela necessidade de sobrevivência. Sílvia, moça de cabelos claros e olhos azuis, sentava à minha frente nas aulas e foi a escolhida. Aconteceu no descuido de nossa mestra. Ao tomá-la pelas mãos, entrelacei-a em minhas pernas e, com movimentos frenéticos, olhei para os lados atentamente, a cada dois minutos, ansioso para terminar o mais depressa possível. Até hoje, fico a imaginar o espanto da professora ao corrigir a prova de minha companheira, numa folha envergada e levemente úmida devido ao suor de minha tensão.
